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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Esforços efêmeros



       Estou definitivamente cansado. Esse cansaço resulta dos começos, fins e recomeços aos quais eu tenho me obrigado a viver e continuar respirando. Depois de um tempo essas coisas parecem tão inúteis que é inevitável questionar se elas são realmente certas. O errado parece apenas um ponto de vista e as experiências justificam minha impressão das coisas. Eu quero seguir o percurso da linha que liga o ponto A ao ponto B, mas sempre há um ponto C querendo formar esses triângulos bizarros... uso essa figura exata porque minha humanidade já foi testada e aparentemente reprovada em tantos níveis que dela restam menos que palavras.
      Ao que me parece, descansar não é mais uma opção. Há essa força que me impele a prosseguir, a ficar dando esses tiros no escuro até acertar um alvo móvel e minúsculo que promete explodir em uma nuvem de felicidade se eu for capaz de encontra-lo. Por quê? Não faço a mínima ideia. Parece até que eu gosto desse mistério. Mas não, o caso é que eu não tenho outra escolha mesmo.

domingo, 28 de agosto de 2011

Do Pó...


Por Oaken

Tirei minhas roupas velhas. Estavam me causando uma sensação ruim há algum tempo e todos à minha volta já haviam percebido que não mais me caíam bem. Eu sei que há conselhos que não se dá, não por serem inválidos, mas porque existem coisas que só mesmo a vida pode ensinar, e a minha me ensinou a me vestir.
Eu poderia dizer que é melhor andar sem roupas que andar com as que eu joguei fora. Só há pontos positivos nisso: elas serão encontradas por alguém em que elas servirão, e para tal pessoa, serão como novas; e, sem elas, o que há de melhor em mim (minhas tatuagens) estará exposto — ao menos até que eu encontre roupas novas. Mas eu não tenho pressa, pois sei escolher e vou procurar muito bem.
Já me disseram que eu estou melhor assim. Mas ao mesmo tempo em que os elogios me enrubescem as maçãs do rosto, sei que roupas novas podem valorizar muito mais a minha imagem. Porque as roupas são como as pessoas que conhecemos: servem muito bem em determinadas ocasiões, mas em outras, são completamente inadequadas. É claro que há aquelas que a gente não larga, que transpassam os tempos e que caem bem muito mais que as outras: Estas já fazem parte de mim. Já ajudam a compor o que eu sou.
Enquanto vou vivendo, vou adequando meu estilo a cada fase da minha vida, sem nunca me envergonhar, mas buscando sempre a evolução. Não importa quantas vezes eu precise renovar o meu guarda-roupas para isso, eu sempre quererei estar...
Bonito.

sábado, 4 de junho de 2011

Formatando Pensamentos (por M. Corydon)



      A indelével condição de escrever subjaz à prática do pensar primeiro. Já diziam, há alguns séculos atrás, digamos milênios, os precursores do ábaco, em números. Escrever é sinônimo de ter coragem de falar aquilo que não diríamos em hipótese alguma nas praças de toureiros ou até mesmo nos campos de futebol. Quem escreve, escreve algo para alguém, porém e, sobretudo para si, dentro do âmago, formando dois. Palavras desconexas são as inseguranças e confusões de um indivíduo cansado de formas. Palavras bem escritas foram atadas com cinturões de couro fino e fivela de aço. Escritores desconexos e palavras amarradas constituem a fabulosa fórmula da escrita hermética, daquilo que eu não sei do que se trata, mas sei o que quis dizer com tudo isso.
     Quem escreve, escreve porque já não há espaço para tantos pensamentos.



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Prefiro Sempre Sempre Correr o Risco (Por Oaken)


            Desde que nós humanos surgimos, lidamos com a sedução, ou seja, vivemos usando a libido de diversas formas através dos tempos com o intuito de conquistar um par. Não há nada como conseguir a pessoa desejada por mais desafiador que isso pareça. É como dizem: Quanto maior o desafio, mais saborosa é a vitória.
            Então é natural que as pessoas se sintam atraídas pelo desafio, pelo incerto ou pelo perigoso. Muitos, ao primeiro sinal de dificuldade, desistem. Mas há aqueles que adoram o perigo, que amam o poder de conquistar e que estão dispostos a quase qualquer coisa só pela sensação de ter dobrado alguém aos joelhos.
            Mas será que o perigo só vem de fora?
          A resposta é não. O perigo tem certo potencial de ser externo ao considerarmos que tem gente que não se importa com os sentimentos alheios: comedores de coração impiedosos e extremamente sedutores.
            That boy is a monster, He ate my heart
– “Monster”, Lady Gaga.
            Contudo, estes “monstros” não podem comer o que lhes for dado, então não é necessário se esconder por detrás de fakes na internet com medo de se magoar na vida real, por exemplo. É aí que o perigo deixa de ser externo, se internaliza. A pessoa que não “vai à caça” pode se ferrar porque se não conhecer o campo do adversário irá entregar-se sempre e sofrer desilusão após desilusão até conhecer a si de fato.
            “(...) é preciso se prender ao Amor Maior que todo mundo tem (mas nunca usamos): O AMOR PRÓPRIO!!!” Disse Nany People em sua coluna na revista G Magazine. “Gostar de si mesmo é o pontapé inicial para qualquer relacionamento. Só se gosta do outro quando se gosta de si, só se gosta pro outro quando se gosta pra si!” Conclui.
            Da mesma forma que existem pessoas avassaladoras e que sentem prazer em ser assim, também há aquelas que “acham” que gostam de sofrer. Quem não encontrou a metade da sua laranja pode ser a metade do limão de outro alguém, então não adianta sofrer por um objetivo inalcançável. Todo esforço, sofrimento, martírio – seja lá o que for – só é compensado após finalmente “chegar lá”. Portanto, se há consciência de que a pessoa desejada não está ao alcance, o melhor a se fazer é partir pra próxima e deixar que o coração se cure com o tempo.
            É normal sofrer por outras pessoas, seja pelo ego ferido ou por simplesmente ter sentimentos confusos – nada que uma conversa com o melhor amigo não resolva. Anormal é ficar se desfazendo em declarações de amor (o que alguém apaixonado pode achar) que vão entrar por um ouvido da pessoa desejada e sair pelo outro. Esta é uma situação ruim para as duas partes: degradante para quem nutre um sentimento vazio e constrangedor para quem tem que “cortar” isso.




quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cores (por Petit)



Cada um de nós, por mais normal que seja, tem um amigo de cada cor existente na paleta de cores do pintor da vida.
Muitas cores que acabam tendo um significado “unusual”, pelo menos ao se referir a amizade. Acabam simbolizando aromas e toques em total intensidade. A intimidade acarreta variações de tonalidades e de mesclagens múltiplas, as vezes pode ate ser confundido por outras sensações, mas no fim a cor inicial se torna evidente.
Pode haver tons quentes, como o vermelho, ou tons frios, como o ciano, cada um com seus maquinários provocadores de prazeres extracarnais.
Todas devem ser utilizadas com sabedoria, pois o resultado final, a tela, deve ser sublime (perfeita), conter todas as derivações possíveis de cada cor. E, no fim, basta admirar a obra prima, criada apenas por simples amigos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Desturvar (por Oaken)



            Hoje você é outra pessoa. Costumavam se referir a você como o “amigo de”, “aquele menino”, “aquele que ficou com”. Minha nossa! E você ainda achava que era feliz... Você não pode negar que só estava fazendo aquilo para se enquadrar. Isso é até normal, mas considerando tudo que você fazia, parecia que você estava acomodado àquela vida. Sabia que, mesmo naquela época, você já era notado? Mas é claro que não dava para te ver direito com toda aquela nuvem do ego alheio ofuscando a sua imagem, tanto que nem você se enxergava.
            Numa dessas noites, parece que você estava doido! This was no accident; this was a therapeutic chain of events. Aquele beijo serviu como um ventilador para dissipar a neblina à sua volta. Foi muito interessante quando você se viu: parecia um herói descobrindo os super poderes. A diferença é que esses poderes salvaram a sua vida. A cada luta, você conquistava uma vitória mais “gostosa” que a outra. É claro que isso causou admiração e inveja, até você mesmo se surpreendia (o que acontece até hoje)!
            Dizer que somos o que o mundo faz de nós é idiotice, era você antigamente. Hoje você conquistou tanto quanto jamais teria se permanecesse à sombra de outra pessoa, até um cego pode ver isso. Aquela máquina de gelo seco obsoleta não é nada comparada à impetuosa tempestade de granizo que você se tornou.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Inveja Famosa Inveja (por Oaken)



            Tem gente não enxerga a linha que existe entre não gostar, criticar e falar mal de alguma coisa. E atualmente não é difícil compreender a indignação das pessoas diante do que lhes é estranho ou desagradável. Consequentemente, essas pessoas tendem a sentir a necessidade de se expressar, o que é muito bom. O problema é quando, no ato da expressão, não se é imparcial - o que gera atitudes que não deixam de lado a opinião ou até mesmo a preferência do indivíduo. Os responsáveis por essas ações ignoram ou mesmo negligenciam que sem os argumentos adequados, seus protestos não passam de birra. Não pensam que, com tantos problemas que cada um e o próprio espaço em que se encontram já têm, é um desperdício de existência entulhar os meios de comunicação com opiniões egoístas sobre futilidades passageiras. O que essas pessoas fazem não é humor, nem tampouco digno de se dispor como exemplo a ser seguido, principalmente por quem alega ter a mente aberta e ser imune a alienações.
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